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Na década de 1880, surgiu na Europa, fruto do enriquecimento rápido da industrialização, uma classe média abastada, que vai contribuir fortemente para o desenvolvimento do comércio e para o surgimento de uma sociedade de consumo.
Esta nova classe média vai procurar arte e cultura. Nesta altura, imperava um academismo histórico a nível cultural. Essa classe, farta do passado, tenciona instaurar uma ruptura nessa arte sóbria e histórica. Pelo desenvolvimento das ciências de então, vai haver uma grande inspiração na biologia, nas ciências da natureza, no movimento, nas linhas onduladas, na dinâmica e na física. Existe também uma necessidade de explorar o material como fim e não como meio. O ferro, o betão e novos materiais afins surgem para superar esta necessidade.
Surge assim, no panorama europeu, a Arte Nova, que se vai propagar, não só pela arquitectura, mas também pelas artes decorativas (artes gráficas, publicidade, mobiliário, joalharia, azulejaria), fruto do novo-riquismo que caracterizava esta nova sociedade.
A Arte Nova chegou a Aveiro em 1904, acabando por desaparecer em 1920. por esta altura, a Arte Nova já dava lugar no resto da Europa a um estilo mais amadurecido, chamado de Art Nouveau. Na cidade, existem três edifícios de Arte Nova, no sentido verdadeiro do termo. Todos os restantes são adaptações das fachadas de construções habitacionais anteriores ou melhoramento do início do piso térreo, para utilização em loja.
Uma das casas construídas de raiz segundo o estilo Arte Nova é a Casa Major Pessoa, projectada pelo arq. Silva Rocha e pelo arq. Ernesto Korrodi. Estes dois arquitectos vão assinar a maioria das construções ou decorações Arte Nova em Aveiro, a par do ensino da Escola Industrial de Aveiro, o que vai fazer com que grande parte da Arte Nova em Aveiro seja de influência directa ou indirecta desta dupla. A Casa Major Pessoa é, neste sentido, paradigmática, no que diz respeito à Arte Nova em Aveiro.
A casa apresenta uma gradação gritante em termos de decoração, quando observamos os diferentes pisos da habitação.
O primeiro piso destinava-se a receber os convidados. É decorado em cores fortes (amarelo, bordeaux, azul), com azulejos com motivos marítimos ou naturais. Estes azulejos são de produção nacional. Este piso funcionará como um salão de chá, recriando ao pormenor o ambiente de um chá das cinco do início do séc. XX.
O segundo piso apresenta uma grande sobriedade em termos decorativos, com paredes despidas,
O último piso foi recuperado recentemente e será base para exposições temporárias relacionadas com Arte Nova.
Esta visita foi muito interessante para o grupo, que pode usufruir em primeira mão de um edifício recuperado, ainda não aberto ao público. Destacamos a qualidade da visita guiada e a fabulosa interacção de que o grupo foi alvo, quer com o conhecimento da guia, como com o edifício.
"«Hoje é um dia histórico, de grande relevância para a cidade, em que este ex-libris é devolvido aos aveirenses», disse Capão Filipe. O vereador da Cultura lembrou que a recuperação do edifício e sua conversão em museu se enquadra na estratégia autárquica de Museu da Cidade em rede, que pretende fazer do espeço da cidade o próprio museu. A Casa Major Pessoa «será a Âncora do verdadeiro museu Arte Nova, que é a cidade», afirmou.
A paritr de hoje, a Casa Major Pessoa recebe visitas, sob marcação, com o objectivo de estimular a captação e fidelização de públicos e envolver a comunidade no projecto. Este será o primeiro passo para a abertura do museu, o que só deverá acontecer na segunda metade de 2008, apesaar de o feriado municipal ser apontado como a data ideal para dar início ao projecto museológico."
in Diário de Aveiro (14 de Novembro de 2007)